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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

NOVO ENDEREÇO

     O blog GRUPO DE COROINHAS MENINOS - SANTUÁRIO N. Sª.  DO CARMO está desativado.
   Novas e antigas postagens serão periodicamente remetidas ao novo endereço:





CONFIRA! ;)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

CRISTO PANTOCRATOR



Os Símbolos Litúrgicos


Em todas as civilizações e culturas e em todos os momentos da História, sabemos que a percepção humana é dependente de imagens e símbolos. O Homem percebe as coisas pela linguagem própria, viva e silenciosa das coisas e se situa - ele próprio - no mundo do mistério.

Nas realidades espirituais, não é diferente, nós buscamos a comunhão no mistério, que se dá sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos. De fato, os símbolos nos mostram, em sua visibilidade, uma realidade que os transcende, invisível. Falam sempre a linguagem do mistério, apontando para além deles próprios.

A própria Liturgia é descrita como uma ação simbólica, no seu sentido mais pleno. E isso se revela na beleza de todo o ato celebrativo que emana da alegria pascal.

Com isso percebemos o quanto é importante a linguagem misteriosa dos símbolos na Liturgia. E um símbolo por si só fala, não é preciso dar explicações. Até porque o mistério não é para ser compreendido e sim, vivido.

Vejamos então o significado de um grande símbolo religioso presente em nosso Santuário, que é o Pantocrator   "Cristo Luz do Mundo"



A palavra Pantocrator é de origem grega e significa "Todo-Poderoso" ou "Onipotente", mas a melhor tradução seria "Oniregente" ou "Aquele que rege todas as potências terrestres e celestes".
Existem cânones pictóricos, ou seja, regras para a pintura do painel.

O Pantocrator quando é representado de corpo inteiro e neste caso está sentado no trono e rodeado pelas hierarquias celestes que sublinham sua majestade divina. No nosso caso, temos a representação da Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo (percebam que Ela segura o escapulário), e Santo Elias, profeta - por ser o precursor da Ordem do Carmelo. Ainda estão representados ao lado de Cristo os Evangelistas.





O Pantocrator caracteriza-se pela auréola crucífera;










Neste ícone, a cor vermelha da roupa
representa que Ele é todo Deus, e o
manto azul que Ele é todo Homem e
assim nos assumiu por inteiro;

A faixa dourada, é quase uma estola,
o Sacerdote da Nova Aliança
pela mão direita que abençoa «à maneira grega»; e pela esquerda que segura um livro aberto ou fechado, ou mesmo um rolo. Quando o livro está aberto, o versículo evangélico que nele aparece é, as mais das vezes: «Eu sou a luz do mundo». Mas podem também aparecer outros versículos previstos nos manuais de pintura.


A estatura do corpo é a tradicional, já fixada no séc. VI, no tempo de Justiniano.

O rosto, para a tradição oriental, é o do Mandilion, considerado impresso pelo próprio Cristo na toalha enquanto ainda vivia (Santo Sudário).


Os traços podem ser resumidos assim: rosto alongado, sobrancelhas arqueadas, olhos grandes e abertos voltados para o espectador, nariz longo e delicado, a barba bastante longa terminando em ponta arredondada, bigode caído, cabelos ondulados que formam como uma cúpula sobre o alto da cabeça e são depois recolhidos à altura das orelhas e descem sobre os ombros (essa cabeleira é chamada, segundo Capizzi, «tipo capacete»). No alto da fronte - larga e alta - destacam-se muitas vezes, da cabeleira, dois, três ou mais cachos.


A forma circular do rosto lembra que Cristo é o
 Logus, ou seja, o Verbo Divino.
As roupas que cobrem o corpo de Cristo são constituídas de quatro peças, sendo três as mesmas usadas na Palestina no tempo de Cristo: a túnica vestida diretamente sobre o corpo, o manto, as sandálias, presas ao tornozelo por tiras de couro e a faixa que representa Cristo Sumo e Eterno Sacerdote.

O corpo de Cristo se destaca pela cor dourada de sua roupa, chamado na iconografia grega "céu" e no fundo em azul na forma de círculo para indicar que Cristo está na glória do Céu.


O círculo é símbolo do Universo, do todo, do infinito. Junto ao círculo está entrelaçado o quadrado, que simboliza o princípio material do Universo, é o símbolo da Terra.

O ícone transmite, assim, o dogma cristológico das duas naturezas humana e divina - unidas na única Pessoa do Verbo: Filho de Deus e Deus ele próprio, consubstancial ao Pai.

A auréola, chamada "coroa" e também "glória", desenhada com traço fino sobre o mesmo fundo dourado, é sinal da santidade de Jesus. Em todas as imagens de Cristo, na auréola estão desenhados três braços de uma cruz; esta, que se tornou comum no decurso do séc. VI desde o tempo de Justiniano, é uma clara alusão à dimensão salvífica do Senhor. Sobre o ícone estão presentes inscrições, cuja finalidade é chamar a atenção para a identidade divina e ao mesmo tempo humana do personagem representado.

O sagrado trigrama do nome de Deus revelado a Moisés no Sinai: Ο ΩΝ, "Eu sou o Existente" -  Ex 3, 14 - e inserido nos três braços visíveis da cruz introduzida na auréola.  Essas inscrições são sempre em grego.


A mão que abençoa

Na Igreja Oriental, sobretudo na bizantina, a bênção em grego ('euloghia') é reservada ao bispo ou ao sacerdote que a pronuncia para abençoar uma ou mais pessoas, ou um objeto, fazendo um sinal da cruz e pronunciando ao mesmo tempo uma breve fórmula de bênção. A fórmula de bênção mais simples reza assim: «Bendito o nosso Deus, em todo tempo, agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.»

Uma das mais solenes é a que o sacerdote dá no fim da liturgia eucarística: «A bênção e a misericórdia do Senhor desçam sobre vós com a sua graça e a sua benignidade em todo tempo, agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.»

Como se vê por esta e por outras fórmulas semelhantes, a fórmula não é indicativa: ou seja, o sacerdote não dá a bênção em nome próprio, mas transmite a bênção dada pelo próprio Cristo. Isto fica evidente no ícone de Cristo com a mão direita que abençoa.

A bênção é chamada «à maneira grega», na qual os dedos aparecem em posições bem precisas com significado simbólico, sobre o qual se detêm os manuais de pintura. O de Dionísio de Furná assim descreve a posição dos dedos da mão direita que abençoa e o sentido simbólico:

OS DEDOS LONGOS ACIMA LEMBRAM
QUE JESUS É HUMANO E DIVINO

OS OUTROS DEDOS JUNTOS LEMBRAM
A SANTÍSSIMA TRIANDADE, JUNTA.

OS DOIS DEDOS LONGOS TAMBÉM
 FAZEM REFERÊNCIA A PARTICIPAÇÃO
 DE  CRISTO COMO SEGUNDA PESSOA
DA TRINDADE.

«Quando fazes uma mão que abençoa, não unas os três dedos juntos, mas une o polegar com o anular apenas; o dedo chamado indicador e o médio formam o nome IC: com efeito, o indicador forma o I; o dedo médio curvado forma o C; o polegar e o anular que se unem obliquamente e o mínimo que está ao lado, formam o nome XC; de fato a obliqüidade do mínimo, estando ao lado do anular, forma a letra X; o mesmo mínimo, que tem forma curva, indica justamente por isso o C; por meio dos dedos, portanto, se forma o nome XC e por esse motivo, pela divina providência do Criador de todas as coisas, os dedos da mão humana foram modelados assim e não foram demais ou de menos, mas em quantidade suficiente para formar este nome.»

O clero bizantino abençoa ainda segundo o modo acima descrito

 

 

 

 

Nesta imagem, do Monastério de Santa Catarina, perceba que um dos olhos nos transmitem ternura e no outro a ira de Deus, próprio da Idade Média, mas em geral o olhar de Cristo é exigente, porque pede de nós postura, e com esse olhar Ele nos pergunta: afinal quem você é diante de Mim? Me diga, para depois descobrir que eu sou! 

 

 

 


Nada é por acaso, tudo tem é simbólico!

 

Se olharmos os ícones acima, percebemos que o pescoço está muito a amostra, não há golas nem mantos que cubram o pescoço!


Isso é um sinal  muito antigo: na antiguidade acreditava-se que o Espiríto Santo morava na garganta. Que o Espiríto Santo é o "ar de Deus que na nossa laringe nos ajuda a ter folêgo e articula em nós palavras de vida".

Por isso Jesus tem o pescoço muito a amostra, para dizer: "Aqui dentro eu carrego o Espírito Santo, eu respiro o respiro de Deus, meu folêgo é um folêgo divino".

Significado do Pantocrator segundo Dom Roberval Monteiro

O Painel "Cristo Luz do Mundo", do Santuário Nossa Senhora do Carmo é de autoria de Dom Roberval  Monteiro, religioso de Ponta Grossa - PR, que no ano 2000 venho especialmente para entregar o painel no dia da festa da padroeira.

Dom Roberval pratica a arte de pintar desde que entrou no mosteiro, em 1984, e é considerado um pintor especialista em arte bizantina.


"o sacerdote é um homem que comunica Deus para as pessoas e a pintura também faz isso de maneira mais durável, mais profunda que palavras ou ações, porque as minhas palavras ou ações vão passar, mas a pintura vao permanecer e vai sobreviver há muitas gerações"
Junto de Cristo, temos representados os elementos vitais - terra, ar, água e fogo - simbolizados por quatro animais que são uma representação extremamente antiga herdada do período antes de Cristo.

Os quatro animais simbolizam as quatro dimensões do ser humano:


" nós estamos acostumados com o ser humano em duas dimensões: corpo e alma."


Dom Roberval explicou que o homem é touro enquanto vive uma vida vegetativa: trabalha, bebe, dorme e produz. É a força, a vida. O leão representa a vida afetiva, é o homem capaz de sentimentos, de emoções, de paixões, de amor, mas tembém de coragem, de luta, de combate: o leão é nobre de espírito, de caráter, e a lealdade a diferencia do touro. O terceiro animal é a águia, que representa a vida intelictiva, a busca pela razão das coisas, o animal das alturas, que voa alto, que se questiona e nunca se cansa, mas também justamente por isso, vê longe, vê profundamente as coisas: a águia tem olhos agudos e precisos. E, finalmente, o quarto animal, o anjo, que representa o homem na sua relação com a divindade e que sente saudades do céu, saudades de Deus, independente da religião. Então o touro fornece as energias e a base; o leão ama e tem ímpeto; a águia busca as razões; e o anjo realiza a comunhão com Deus.

Para Dom Roberval, a pintura tem a função de ser um mapa de nosso interiror:

"É a tentativa de retomar esse tipo de pintura, mesmo com traços modernos, com técnicas modernas e tudo mais, é justamente de fornecer um mapa do nosso mundo inteiror, porque ainda que a gente não entenda e não use o mapa de uma cidade , só o gosto de saber que existe dá uma sensação de que, pelo menos me perder eu não vou. Esse é o mapa do nosso ser."




Pax Vobis!
(A paz esteja convosco!)






sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Você Sabia? - O que foi o Concílio Vaticano II


O que foi o Concílio Vaticano II?



                
     Foi uma série de conferências realizadas entre 1962 e 1965, consideradas o grande evento da Igreja Católica no século 20. Com o objetivo de modernizar a Igreja e atrair os cristãos afastados da religião, o papa João XXIII convidou bispos de todoo mundo para diversos encontros, debates e votações no Vaticano. Da pauta dessas discussões constavam temas como os rituais da missa, os deveres de cada padre, a liberdade religiosa e a relação da Igreja com os fiéis e os costumes da época. "O Concílio tocou em temas delicados, que mudaram a compreensão da Igreja sobre sua presença no mundo moderno. Foram repensadas, por exemplo, as relações com as outras igrejas cristãs, o judaísmo e crenças não-cristãs", diz o teólogo Pedro Vasconcelos, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Após três anos de encontros, as autoridades católicas promulgaram 16 documentos como resultado do Concílio. Muitas novidades apareceram nas questões teológicas e na hierarquia da Igreja. O papa, por exemplo, aceitou dividir parte de seu poder com outros cardeais. E as missas passaram a ser rezadas na língua de cada país - antes eram celebradas sempre em latim! Na questão dos costumes, porém, o encontro foi pouco liberal. A Igreja continuou condenando o sexo antes do casamento e defendendo o celibato (proibição de se casar e de transar) para os padres. No quadro ao lado, você confere o que mudou - e o que ficou na mesma - depois dessa reforma na Igreja Católica.

Mudança dos hábitos: Conferência realizada entre 1962 e 1965 gerou transformações profundas na Igreja
  ASSUNTO - MISSA
ANTES DO CONCÍLIO - Rezada em latim, com o padre voltado para o altar, de costas para os fiéis. Apenas membros do clero comandavam a celebração
DEPOIS DO CONCÍLIO - Rezada no idioma de cada país, com o padre de frente para o público. Mulheres e homens leigos (que não são do clero) podem ajudar na celebração

ASSUNTO - SEXO
ANTES DO CONCÍLIO - Doutrina rígida, contrária ao sexo antes do casamento e ao aborto, mesmo em caso de estupro
DEPOIS DO CONCÍLIO - Manteve a mesma posição

ASSUNTO - RELACIONAMENTO COM OUTRAS RELIGIÕES
ANTES DO CONCÍLIO - Desconfiança em relação aos ensinamentos de religiões não-cristãs (islamismo, judaísmo, etc.)
DEPOIS DO CONCÍLIO - Aceita a idéia de que, por meio de outras religiões, também é possível conhecer Deus e a salvação

ASSUNTO - CULTO AOS SANTOS
ANTES DO CONCÍLIO - Proliferação de "santos" criados pela crença popular e não-canonizados pela Igreja
DEPOIS DO CONCÍLIO - "Santos" não-canonizados são abolidos. Cristo volta a ser o centro das atenções na missa

ASSUNTO - COMPORTAMENTO DO SACERDOTE
ANTES DO CONCÍLIO - Uso obrigatório da batina e de outros símbolos da Igreja. Casamento e relações sexuais são proibidos
DEPOIS DO CONCÍLIO - Cai o uso obrigatório da batina: agora, os padres podem usar trajes sociais. Segue a proibição ao casamento e ao sexo

ASSUNTO - QUESTÕES POLÍTICAS
ANTES DO CONCÍLIO - Condenação do capitalismo e esforço para evitara "contaminação" do catolicismo por idéias comunistas
DEPOIS DO CONCÍLIO - Continua a condenação ao capitalismo e ao comunismo, mas aumenta um pouco a liberdade dos teólogos para interpretar a Bíblia

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Série: Documentos Ecumênicos ( III )

(III)
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 


CLIQUE NA IMAGEM E BAIXE O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA EM PDF


1. Introdução ao documento Catecismo da Igreja Católica
      
              A palavra "catecismo" origina-se do termo grego katecheo que significa informar, instruir e ensinar. Aparece, na bíblia, na Carta aos Gálatas 6.6, a palavra "catequizando" significando aquele que está sendo instruído na palavra de Deus. Assim, em Lucas 1.4, se diz que Teófilo "foi catequizado".
       O Catecismo da Igreja Católica (CIC - sigla brasileira / Catech. R - silga em latim) é uma exposição da fé católica e da doutrina da Igreja Católica, fiel e iluminado pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja.
     Trata-se de um texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica, com o qual pode-se conhecer o que a Igreja professa e celebra, vive e reza em seu cotidiano. Ele foi organizado de maneira a expor em linguagem contemporânea os elementos fundamentais e essenciais da fé cristã. Neste livro encontram-se orientações para o católico comprometido com sua fé. É também oferecido a todo homem que deseja perguntar à Igreja e conhecer o que a Igreja crê.
      O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, que foi publicado em 2005, é uma versão concisa, em forma de perguntas e respostas, do Catecismo. O texto está disponível em nove línguas, no website do Vaticano, o qual também possui o texto do Catecismo em seis línguas
  2. História do documento Catecismo da Igreja Católica
        O primeiro Catecismo oficial da Igreja foi aprovado pelo Papa São Pio V, após o Concílio de Trento, o Concílio importantíssimo da Igreja, realizado de 1545 a 1563, isto é, com uma duração total de 12 anos. Foi o início da grande Reforma na Igreja, após a calamitosa Reforma protestante. Podemos dizer que este primeiro Catecismo Romano, guiou a catequese da Igreja durante cerca de 429 anos. 
         Em 1985 o Papa convocou um Sínodo (reunião de um grupo de Bispos do mundo todo) especial, para avaliar os 20 anos do Concílio Vaticano II (1963´1965). Sabemos que este Concílio foi uma grande bênção para a Igreja, como gosta de dizer o nosso Papa, uma primavera para a Igreja. 
         Na ocasião surgiu no coração dos Padres sinodais o desejo de um Catecismo ou compêndio que abordasse a doutrina católica de forma geral, servindo de referência para os catecismo ou compêndios a serem preparados em diversos lugares do mundo. Após o Sínodo, o papa João Paulo II assumiu para si este desejo e deu início ao trabalho de formulação do CIC, confiou ao Cardeal Joseph Ratzinger em 1986 a responsabilidade de presidir uma Comissão composta por doze cardeais e bispos para preparar um projeto para o catecismo. Esta equipe contou com o apoio de uma Comissão de redação, formada por sete bispos diocesanos peritos em teologia e catequese. A Comissão deu diretrizes ao desenvolvimento do trabalho, cuja redação suscedeu nove composições. Por outro lado, a Comissão de redação escreveu o texto e inseriu neles as modificações pedidas pela Comissão e examinou as observações de numerosos teólogos, exegetas e catequistas e bispos do mundo inteiro, a fim de melhorar o texto, entregando-o à população no dia 11 de outubro de 1992, resultado do trabalho que demorou seis anos, o Papa João Paulo II entregava aos fiéis de todo o mundo o Catecismo da Igreja Católica, apresentando-o como "texto de referência" para uma catequese renovada nas fontes vivas da fé. A trinta anos da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965), completava-se assim o desejo expresso em 1985 pela Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, para que fosse composto um catecismo de toda a doutrina católica quer no tocante à fé quer no que se refere à moral.
  3. Conteúdo deste documento
                O CIC  está dividido em quatro partes que estão ligadas entre si. São elas:
  • 1ª parte - A profissão de Fé, baseada no Credo, cujo objeto é o mistério cristão
Começa por expor em que consiste a Revelação, onde trata o tema de como Deus se dirige ao homem e como o homem responde a Deus. Resume os dons que Deus outorga ao homem, como Autor de todo bem, como Redentor e como Santificador.
  • 2ª parte - A celebração do Ministério Cristão, que trata da sagrada Liturgia
Expõe sobre as ações sagradas da liturgia da Igreja, particularmente nos sete sacramentos.
  • 3ª parte - A vida em Cristo, baseada no Decálogo, apresenta o agir cristão
Apresenta a fé da Igreja sobre o fim último do homem, criado à imagem de Deus: a bem-aventurança e os caminhos para chegar a ela. Trata assim do agir reto e livre, com ajuda da fé e da graça de Deus, ou seja, do agir que realiza o duplo mandamento da caridade, desdobrado nos Dez Mandamentos de Deus.
  • 4ª parte - A Oração Cristã, expressada no Pai-Nosso
Aborda o sentido e a importância da oração, terminando com um comentário sobre os sete pedidos da oração do Senhor.
A forma do Catecismo inspira-se na grande tradição dos catecismos que articulam a catequese em torno de quatro pilares: a profissão da fé batismal (o Símbolo), os sacramentos da fé, a vida de fé (Mandamentos) e a oração.
      
  4. Valor deste documento

             O Catecismo da Igreja Católica é composto de assuntos que ajudam a iluminar as situações e problemas encontrados na Igreja, traz assuntos com o objetivo de formar e direcionar o povo de Deus, explicando a Doutrina da mesma. Apresenta ensinamentos da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério; traz também a herança deixada pelos Santos Padres, santos e santas da Igreja. É destinado também a iluminar as novas situações e os problemas que ainda não tinham surgido no passado.

Fonte: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/historia.html


 
 Luan de Souza Pires
Cerimoniário do Sant. Nsa. Sra. do Carmo
  -

 

 
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Série: Documentos Ecumênicos ( II )

(II)
CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO

CLIQUE NA IMAGEM E BAIXE O CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO EM PDF

1. História do documento Código de Direito Canônico
      
         São os cânones que formam o direito canônico, sendo que cânone é uma regra adotada por um Concílio Ecumênico, reunião de autoridades eclesiásticas com o objetivo de discutir e deliberar sobre questões religiosas. O primeiro concílio, presidido por Pedro, ocorreu em Jerusalém, logo após a morte de Cristo, conforme pode ser lido no livro dos Atos, quando os Apóstolos reuniram-se para tratar sobre temas de interesse dos primeiros cristãos. É importante salientar que foi a partir do século VIII que o direito canônico passou a ser assim denominado e, até o advento do Decreto de Graciano no século XII, não era uma ciência autônoma em relação à teologia.
      A Igreja, em sua atividade pastoral, cumprindo a ordem de seu Divino Fundador, tem, através dos séculos, devido a sua atividade nas dioceses e paróquias, acumulado um grande patrimônio documental importante para a memória dos povos e culturas aos quais tem levado sua mensagem salvífica. 
     Alguns documentos da Igreja tem demonstrado a preocupação da mesma com a preservação deste rico acervo que muitas vezes diz respeito não só à história eclesiástica, mas informam, também, sobre a memória de cidades e países. Entre os documentos emanados da Santa Sé, temos a Constituição Apostólica Pastor Bonus, de 28 de junho de 1988, que criou a Pontifícia Comissão para a Conservação do patrimônio Artístico e Histórico da Igreja, e também o Motu Proprio Inde a Pontificatus Nostri initio, de 25 de março de 1993.
     No dia 25 de Janeiro de 1983, foi feita a publicação do novo Código de Direito Canónico., onde foi todo revisto. Ao fazê-lo, o  pensamento volta-se para o mesmo dia do ano 1959, quando o Nosso Predecessor João XXIII, de feliz memória, anunciou pela primeira vez ter decidido a reforma do Corpus vigente das leis canónicas, que tinha sido promulgado na solenidade de Pentecostes do ano 1917.
     A decisão da renovação do Código foi tomada com outras duas, das quais aquele Pontífice falou nesse mesmo dia, que se referiam à intenção de realizar o Sínodo da diocese de Roma e de convocar o Concílio Ecuménico. Destes dois fatos, embora o primeiro não tenha estreita relação com a reforma do Código, o segundo porém, isto é o Concílio, tem suma importância para a nossa matéria e está estreitamente ligado com a sua substância.
     Como é evidente, quando pela primeira vez foi anunciada a revisão do Código, o Concílio era um empreendimento que pertencia totalmente ao futuro. Acresce que os actos do seu Magistério e, principalmente, a sua doutrina sobre a Igreja se completariam nos anos 1962-1965. Todavia, não há ninguém que não veja que a intuição de João XXIII foi muito verdadeira, e com razão deve dizer-se que a sua decisão divisou longe o bem da Igreja.Por isso, o novo Código, que hoje é publicado, exigiu necessariamente o trabalho prévio do Concílio; e embora tenha sido anunciado juntamente com o Concílio, vem contudo no tempo depois dele, pois os trabalhos empreendidos para o preparar, já que deviam basear-se no Concílio, não podiam ter início a não ser depois da sua conclusão.
     Voltando hoje o pensamento para o início do longo caminho, isto é, para aquele dia 25 de Janeiro de 1959, e para o próprio João XXIII, promotor da revisão do Código, devemos reconhecer que este Código surgiu de uma única e mesma intenção, que era a de restaurar a vida cristã. De tal intenção, de facto, toda a obra do Concílio tirou as suas normas e a sua orientação.


2. Valor  deste documento
    Direito Canônico é o direito da comunidade religiosa dos cristãos, mais especialmente dos católicos, sendo o conjunto das normas que regulam a vida na comunidade eclesiástica. A Igreja Católica possui na sua estrutura um caráter ecumênico (universal), colocando desde os seus primórdios o cristianismo como a única religião verdadeira para a universalidade dos homens.
     Por fim, o Código de Direito Canônico vem apresentar normas regulares que ajudam a Igreja a exercer o seu papel de missionária, através do conteúdo jurídico-eclesial, pois, em nossos tempos os pontos abordados no Código, se atualizam com a prática pastoral da igreja no mundo. 
Fonte: [1]HEINRICH, Fries. Dicionário de Teologia. Volume 1/ Adão – Dogma. São Paulo: Loyola,1973. Verbete Direito Canônico, p.413. [2] Código de Direito Canônico. [3] A palavra provém do grego ekklesia (assembléia).
 A igreja é aqui na terra o corpo místico de Cristo. Nesta acepção, é chamada igreja invisível, a que tem vida interior, espiritual. Cristo é a cabeça desse corpo
 
  < http://www.renovado.transvidia.com.br/eclesiologia.htm>. Acesso em 21 de fevereiro de 2007 às 22h14mm. [4] ALBERIGO, Giuseppe (org). História dos Concílios Ecumênicos. 2º Edição. São Paulo: Paulus, 1995, p. 196.


 
Luan de Souza Pires
Cerimoniário do Sant. Nsa. Sra. do Carmo
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Série: Documentos Ecumênicos ( I )

(I)
O CERIMONIAL DOS BISPOS
 CERIMONIAL DA IGREJA
CLIQUE NA IMAGEM E BAIXE O CERIMONIAL DOS BISPOS EM PDF

1. História do documento Cerimonial dos Bispos
( Acompanhe em negrito os nomes que foi dado à este documento ao longo dos anos e séculos )
 
     O Cerimonial dos Bispos, foi editado primeiramente pelo Sumo Pontífice Clemente VIII, no ano de 1600. Esta edição, porém, mais não era do que recensão corrigida, dentro do espírito da restauração tridentina, de outra obra em uso desde tempos antigos. Efetivamente, o Cerimonial dos Bispos tem a sua origem nos "Ordines Romani" (Ordinário Romano), os quais, desde os fins do século sétimo, transmitiram as normas das ações litúrgicas dos Romanos Pontífices. Entre estes Ordines, destaca-se o que no Museum Italicum de Jean Mabillon, tem o número treze e foi editado por determinação de São Gregório X (1271-1276) cerca do ano de 1273, no Segundo Concílio de Leão (1274), mas não com o título de "Caeremoniale Episcoporum" (Cerimonial dos Bispos). Nele se descreviam as cerimônias da eleição e ordenação do Papa, e se davam indicações para a Missa papal e celebrações no decurso do ano.
     Passados uns quarenta anos, o Ordo Romanus XIV, com­posto entre os anos 1314 e 1320 sob o nome do Cardeal Giacomo Caietano Stefaneschi e publicado por volta do ano 1341, descrevia as cerimônias sagradas da eleição e coroação do Sumo Pontífice, bem como as que se realizavam mormente por ocasião dum Concí­lio Geral, duma Canonização e da coroação dos Imperadores e dos Reis.
    Sob os pontificados de Bento XII (1334-1342) e Clemente VI (1342-1352), fez-se nova edição, muito ampliada deste mesmo livro, acrescentada ainda um suplemento, no pontificado do Beato Urbano V (1362-1370), sobre a morte do Sumo Pontífice e a condição dos Cardeais.
     O Ordo que na numeração de Jean Mabillon traz o n. XV, ou seja, Liber de Caerimoniis Ecclesiae Romanae (Um livro sobre as cerimônias da Igreja Romana), redigido pelo Patriarca Pierre d’Ameil nos fins do século XIV sob o pontificado de Urbano VI (1378-1389), com posteriores aditamentos de Pierre Assalbit, Bispo de Oloron, sob o pontificado de Martinho V (1417–1431), e ainda acrescentado com livros manuscritos de Avignon e intitulado Liber Caerimoniarum Sacrae Romanae Ecclesiae (O Livro dos Sagrados cerimônias da igreja romana) era usado na Corte papal, até que, por ordem de Inocêncio VIII (1484–1492), Agostino Patrizi, Bispo de Pienza e de Montaleino, viria a terminar um novo Cerimonial em 1488. Este livro, de estilo dife­rente, foi editado em Veneza por Cristòforo Marcello, Arcebispo de Corfee, em 1516, com o título de: Rituum ecclesiasticarum sive sacrarum Caerimoniarum sanctae Romanae Ecclesiae libri três non ante impressi (Ritos da Igreja ou os ritos e cerimônias da Igreja Romana não está na frente dos livros impressos dos três). Manteve-se em uso até aos nossos dias nas cerimô­nias do Romano Pontífice.
     Do Cerimonial da época anterior, Paris de Grassi, cerimoniário-mor do Papa Júlio II (1503-1513), não só coligiu um Ceri­monial Romano da liturgia papal, como ainda compôs outra obra a que posteriormente, em 1564, seria dado o título: De Caeremoniis Cardinalium et Episcoporum in eorum dioecesibus libri duo (De Caeremoniis Cardinalium et Episcoporum in eorum dioecesibus libri duo), obra esta que harmonizava uma liturgia episcopal, neste caso, a de Bolonha, com a liturgia papal.
    A 15 de Dezembro de 1582, Gregório XIII (1572-1585) insti­tuiu uma comissão, antecessora da Congregação para os sagrados Ritos e Cerimônias, a qual, tendo como presidente o Cardeal Gabriel Paleotti, corrigiria o já referido Liber Caeremoniarum pro Cardinalibus et Episcopis (O Livro de Cerimônias de Cardeais e Bispos) de Paris. Esta remodelação fora sugerida ao Papa Gregório XIII por São Carlos Borromeo, ao tempo residente em Roma, e por ele encorajada. Com a morte do Santo, porém, ocorrida em 1584, a comissão cessou os seus trabalhos.
     Sisto V (1585-1590), a 22 de Janeiro de 1588, não só instituiu a Congregação para os sagrados Ritos e Cerimônias, com o fim de rever os livros litúrgicos, mas já em 19 de Março de 1586 ordenara lhe trouxessem muitos códices da Biblioteca Vaticana, para ele próprio elaborar uma nova regulamentação dos ritos sagrados. Ignora-se qual fosse o resultado.
     Finalmente, a 14 de Julho de 1600, Clemente VIII (1592–1605), ao editar o Cerimonial dos Bispos, levou a bom termo o trabalho da restauração deste livro, servindo-se, não somente dos escritos de Augustinie de Paris, mas também, ao que parece, de vários outros hoje desconhecidos.
     Trabalhavam nessa altura na Sagrada Congregação dos Ritos dos Cardeais César Baronio, São Roberto Belarmino e Sílvio Antoniano, varões ilustres pela santi­dade e pela ciência. Eis por que, na Bula introdutória, nunca se fala dum novo livro, mas sempre de revisão do Cerimonial dos Bispos, livro de todos conhecido.
     Com data de 30 de Julho de 1650, Inocêncio X (1644-1655) mandou publicar uma nova edição revista e emendada, a qual, passado quase um século, Bento XIII (1724-1730), movido pelo seu interesse para com os ritos sagrados, reeditou, a 07 de Março de 1727, depois de corrigidos alguns pontos obscuros e ambíguos ou discordantes entre si. Por fim, quinze anos mais tarde, a 25 de Março de 1742, Bento XIV (1740-1758), em tempos Oficial da Sagrada Congregação dos Ritos, fez nova edição do Cerimonial, acrescentando o livro III, sobre assuntos referentes ao Estado Romano Eclesiástico, e no qual se teciam igualmente louvores ao método da escola litúrgica, que na altura funcionava no Colégio Gregoriano de Roma, da Companhia de Jesus.
     Recentemente, Leão XIII (1878-1903), em 1886, mandou publicar nova edição típica do Cerimonial dos Bispos, conser­vando integralmente o livro III, apesar de já não ter importância alguma, dada a supressão do Estado Eclesiástico, ou a sua redução à Cidade do Vaticano.
     Por fim, o Concílio Ecumênico Vaticano II mandou reformar todos os ritos e livros sagrados, tornando-se por isso necessário refundir integralmente e editar em novos moldes o Cerimonial dos Bispos.

2. Valor  deste documento
     Os Sumos Pontífices, ao promulgar as edições do Cerimonial dos Bispos, declararam que este livro teria de ser perpetuamente seguido por todos; não quiseram, porém, abolir ou abrogar os antigos cerimoniais que estivessem conforme com o espírito do referido Cerimonial.
      O presente livro, adaptado às normas do Concílio Vaticano II, vem substituir o anterior Cerimonial, o qual daqui por diante se deve considerar totalmente revogado. A forma como foi redigido permite conservar, onde convier, os costumes e tradições locais, que cada Igreja particular possui como tesouro próprio, a transmi­tir às gerações futuras, desde que adaptados à liturgia reformada pelo decreto do Concílio Vaticano II.
     A maior parte das leis litúrgicas que o novo Cerimonial con­tém conserva o caráter obrigatório que lhes advém dos livros litúrgicos já editados. O que, no novo Cerimonial, aparecer modi­ficado será executado como nele se indica.
      As restantes normas são inseridas neste Cerimonial com o fim de se obter uma liturgia episcopal simples e ao mesmo tempo nobre, plena de eficácia pastoral, de modo a poder apresentar-se como modelo de todas as demais celebrações.
    Para que este objetivo pastoral mais facilmente se possa alcançar, este livro foi redigido no intuito de o Bispo e os outros ministros, e principalmente os mestres de cerimônias, nele encon­trarem as indicações necessárias para que as celebrações litúrgicas presididas pelo Bispo não sejam mero aparato cerimonial, mas, de acordo com a mente do Concílio Vaticano II, constituam a princi­pal manifestação da Igreja particular.
 Fonte base: http://paroquiadapiedade.com.br



 
Luan de Souza Pires
Cerimoniário do Sant. Nsa. Sra. do Carmo
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Nova Série: Documentos Ecumênicos

    Caríssimos Coroinhas e visitantes de nosso blog,

   É com muita alegria que anuncio a mais nova série de postagens do nosso blog. Esta série de postagens tratará de alguns documentos ecumênicos de base da nossa Igreja Católica Apostólica Romana, assim podemos nos aprofundar cada vez mais nos estudos da liturgia católica, história da Igreja, dentre outros. A cada semana você poderá acompanhar um documento novo, a primeira postagem da série será lançada amanhã dia 29/08. Fique atento a cada documento pois um dá segmento ao outro, assim todos formam um único conjunto que podemos chamar de "O QUE CREMOS",  e assim ficarmos cada vez mais fortificados na fé! 

    Espero que gostem, e aproveitem muito!

    Para qualquer dúvida, ponho-me à disposição através de email, redes sociais e outros.

    Um forte abraço, fique sempre com Deus! Paz est Semper in Christi!

 CONTATO:

 
 
Luan de Souza Pires
 
Cerimoniário do Sant. Nsa. Sra. do Carmo

 

 







sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Carta de Papa Bento XVI aos acólitos e coroinhas do mundo inteiro!


Neste dia 15 de agosto, segundo o Martirológio Romano, recorda-se o martírio de São Tarcísio, padroeiro dos coroinhas. Por ocasião desta data, publicamos aspalavras do Papa Bento XVI aos coroinhas do mundo inteiro em 04 de Agosto de 2010, falando justamente sobre a vida deste santo e o ministério do coroinha:

PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

Prezados irmãos e irmãs,
Desejo manifestar a minha alegria por estar hoje aqui no meio de vós, nesta Praça, onde vos congregastes em festa para a presente Audiência geral, que conta com uma presença tão significativa da grande Peregrinação europeia dos acólitos! Amados rapazes, moças e jovens, sede bem-vindos! Dado que a vasta maioria dos acólitos presentes na Praça são de expressão alemã, dirigir-me-ei a eles principalmente na minha língua materna.

Queridos acólitos e queridas acólitas, caros amigos e estimados peregrinos de língua alemã, bem-vindos aqui a Roma! Saúdo todos vós do íntimo do coração. Juntamente convosco, saúdo o Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone; ele chama-se Tarcísio, como o vosso Padroeiro. Tivestes a gentileza de o convidar, e ele, que tem o nome de São Tarcísio, sente-se feliz por estar aqui no meio dos acólitos do mundo e entre os acólitos de expressão alemã. Saúdo os dilectos Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, bem como os Diáconos, que quiseram participar na presente Audiência. Agradeço de coração ao Bispo Auxiliar de Basileia, D. Martin Gächter, Presidente do "Coetus internationalis ministrantium", as palavras de saudação que me dirigiu, o grandioso dom da estátua de São Tarcísio e o lenço que me ofereceu. Tudo isto me faz recordar o período em que também eu fui um menino de coro. Agradeço-lhe, em vosso nome, também o grande trabalho que ele realiza no meio de vós, juntamente com os colaboradores e com quantos tornaram possível este alegre encontro. Depois, dirijo o meu agradecimento aos promotores suíços e àqueles que trabalharam de vários modos para a realização da estátua de São Tarcísio.


Sede numerosos! Já quando sobrevoei a Praça de São Pedro de helicóptero pude ver todas as cores e a alegria que está presente nesta Praça! Desde modo, vós não apenas criais um ambiente de festa nesta Praça, mas alegrais ainda mais o meu coração! Obrigado! A estátua de São Tarcísio chegou até nós após uma longa peregrinação. Em Setembro de 2008 foi apresentada na Suíça, na presença de 8.000 acólitos:  sem dúvida, alguns de vós estavam lá presentes. Da Suíça, ela passou por Luxemburgo e chegou até à Hungria. Hoje, nós recebemo-la festivos, contentes por poder conhecer melhor esta figura dos primeiros séculos da Igreja. Depois a estátua – como já nos disse D. Gächter – será colocada nas catacumbas de São Calisto, onde São Tarcísio foi sepultado. Os bons votos que formulo a todos vós é a fim de que aquele lugar, ou seja, as catacumbas de São Calisto e esta estátua, possa tornar-se assim um ponto de referência para os acólitos e para aqueles que desejam seguir Jesus mais de perto através da vida sacerdotal, religiosa e missionária. Todos podem olhar para este jovem corajoso e forte, renovando o compromisso de amizade com o próprio Senhor para aprender a viver sempre com Ele, seguindo o caminho que ele nos indica com a sua Palavra e o testemunho de numerosos santos e mártires dos quais, por intermédio do Baptismo, nos tornamos irmãos e irmãs.

Quem era São Tarcísio? Não dispomos de muitas notícias dele. Encontramo-nos nos primeiros séculos da história da Igreja, mais precisamente no século III; narra-se que ele era um jovem que frequentava as Catacumbas de São Calisto, aqui em Roma, e era muito fiel aos seus compromissos cristãos. Ele amava muito a Eucaristia e, de vários elementos, concluímos que, presumivelmente, era um acólito, ou seja, um ministrante. Eram anos em que o imperador Valeriano perseguia duramente os cristãos, que eram obrigados a reunir-se escondidos nas casas particulares ou, às vezes, até mesmo nas Catacumbas, para ouvir a Palavra de Deus, rezar e celebrar a Santa Missa. Também o hábito de levar a Eucaristia aos prisioneiros e aos enfermos se tornava cada vez mais perigosa. Certo dia, quando o sacerdote perguntou como geralmente fazia quem estava disposto a levar a Eucaristia aos outros irmãos e irmãs que a esperavam, o jovem Tarcísio ergueu-se e disse:  "Envia-me a mim!". Aquele rapaz parecia demasiado jovem para um serviço tão exigente! "A minha juventude – retorquiu Tarcísio – será a melhor salvaguarda para a Eucaristia". Persuadido, o sacerdote confiou-lhe então aquele Pão precioso, dizendo-lhe:  "Tarcísio, recorda-te que um tesouro celestial está a ser confiado aos teus frágeis cuidados. Evita os caminhos frequentados e não te esqueças de que as coisas santas não devem ser lançadas aos cães, nem as jóias aos porcos. Conservarás com fidelidade e segurança os Sagrados Mistérios?". "Morrerei – respondeu com determinação Tarcísio – antes de os ceder!". Ao longo do caminho, encontrou pela estrada alguns amigos que, aproximando-se dele, lhe pediram para se unir a eles. Quando a sua resposta foi negativa eles – que eram pagãos – começaram a suspeitar e a insistir, e observaram que ele apertava ao peito algo que parecia defender. Em vão procuraram arrancar-lhe o que ele trazia; a luta fez-se cada vez mais furiosa, sobretudo quando vieram a saber que Tarcísio era cristão; começaram a dar-lhe pontapés e lançaram-lhe pedras, mas ele não cedeu. Em agonia, foi levado ao sacerdote por um oficial pretoriano chamado Quadrato que, ocultamente, também viria a tornar-se cristão. Chegou ali sem vida, mas apertado ao peito ainda conservava um pequeno pedaço de linho com a Eucaristia. Foi sepultado imediatamente nas Catacumbas de São Calisto. O Papa Dâmaso mandou fazer uma inscrição para o túmulo de São Tarcísio, segundo a qual o jovem morreu no ano 257. O Martirológio Romano fixa a sua data no dia 15 de Agosto, e no mesmo Martirológio inclui-se também uma bonita tradição oral, segundo a qual no corpo de São Tarcísio não foi encontrado o Santíssimo Sacramento, nem nas mãos, nem na sua roupa. Explicou-se que a partícula consagrada, defendida com a vida pelo pequeno mártir, se tinha tornado carne da sua carne, formando de tal modo com o seu corpo uma única hóstia imaculada, oferecida a Deus.


Amadas acólitas e amados acólitos, o testemunho de São Tarcísio e esta bonita tradição ensinam-nos o profundo amor e a grande veneração que temos de alimentar pela Eucaristia:  trata-se de um bem precioso, um tesouro cujo valor não se pode medir, é Pão da vida, é o próprio Jesus que se faz alimento, sustentáculo e força para o nosso caminho de todos os dias e vereda aberta para a vida eterna; é o maior dom que Jesus nos deixou.

Dirijo-me a vós aqui presentes e, por meio de vós, a todos os acólitos do mundo! Servi com generosidade Jesus presente na Eucaristia. É uma tarefa importante, que vos permite permanecer particularmente próximos do Senhor e crescer numa amizade verdadeira e profunda com Ele. Conservai ciosamente esta amizade no vosso coração, como fez São Tarcísio, prontos a comprometer-vos, a lutar e a dar a vossa vida para que Jesus chegue a todos os homens. Também vós, comunicai aos vossos coetâneos o dom desta amizade, com alegria e com entusiasmo, sem medo, a fim de que eles possam sentir que vós conheceis este Mistério, que é verdadeiro e que o amais! Cada vez que vos aproximais do altar, tendes a sorte de assistir ao grande gesto de amor de Deus, que continua a desejar entregar-se a cada um de nós, a estar próximo de nós, a ajudar-nos, a incutir-nos a força para que possamos viver bem. Mediante a consagração – bem o sabeis – aquela pequena partícula de pão torna-se o Corpo de Cristo e aquele vinho torna-se o Sangue de Cristo. Tendes a ventura de poder viver próximos desde mistério inefável! Desempenhai com amor, com devoção e com fidelidade a vossa tarefa de acólitos; não entreis na igreja para a Celebração com superficialidade, mas preparai-vos interiormente para a Santa Missa! Ajudando os vossos sacerdotes no serviço do altar, vós contribuís para tornar Jesus mais próximo, de tal modo que as pessoas possam sentir e dar-se conta disto em maior medida:  Ele está aqui; vós colaborais a fim de que Ele possa estar mais presente no mundo, na vida de todos os dias, na Igreja e em todos os lugares. Amados amigos! Vós ofereceis a Jesus as vossas mãos, os vossos pensamentos e o vosso tempo. Ele não deixará de vos recompensar, concedendo-vos a alegria verdadeira e fazendo-vos sentir onde reside a felicidade mais completa. São Tarcísio mostrou-nos que o amor nos pode levar até à entrega da vida por um bem autêntico, pelo bem genuíno, pelo Senhor.

A nós, provavelmente, não será pedido o martírio, mas Jesus pede-nos a fidelidade nas pequenas coisas, o recolhimento interior, a participação íntima, a nossa fé e o esforço para conservar presente este tesouro na nossa vida diária. Pede-nos a fidelidade nos afazeres quotidianos, o testemunho do seu amor, frequentando a Igreja movidos por uma convicção interior e pela alegria da sua presença. Assim podemos fazer conhecer também aos nossos amigos que Jesus está vivo. Que neste compromisso sejamos ajudados pela intercessão de São João Maria Vianney, de quem hoje celebramos a memória litúrgica, desde humilde Pároco da França, que transformou uma pequena comunidade e deste modo ofereceu ao mundo uma nova luz. O exemplo dos Santos Tarcísio e João Maria Vianney nos leve a amar Jesus cada dia e a cumprir a sua vontade, como fez a Virgem Maria, fiel ao seu Filho até ao fim. Uma vez mais, obrigado a todos vós! Que Deus vos abençoe nestes dias e bom regresso aos vossos países!



André Florcovski